Pré-sal? Preços elevados dos produtos primários?
Nada disso vai salvar o país de novas crises se não forem feitas mudanças estruturais. Nada disso vai livrar o país da pobreza.
As reformas que vão realmente promover o desenvolvimento do país são outras. De nada adianta um pré-sal fornecendo recursos (controverso) se o país desperdiça o triplo com gastos "tapa buracos" e deixa de ganhar devido à burocracia.
Um estudo recente do BIRD (Banco Mundial) chamado Doing Business (publicação anual) revelou que o Brasil é o país onde os trabalhadores mais trabalham para pagar impostos. São nada menos que 2.600 horas por ano apenas para pagar as obrigaçoes tributárias. E isso num cenário onde os gastos do governo só aumentam. Para o ano que vem, a previsão de gastos é ainda maior devido ao ano eleitoral. Isso fará com que a taxa de juros tenha que aumentar para conter a inflação, freando os investimentos e a economia.
Além disso, a burocracia faz com que o país seja um dos lugares mais difíceis para se abrir um negócio. O investimento precário em infra estrutura e inovação fazem com que as poucas indústrias usem tecnologia estrangeira e tenham dificuldades para escoar sua produção. É de caráter urgente a reforma tributária, que não tem sido muito discutida no país, mas que pode diminuir a burocracia e a carga tributária, contribuir para diminuir as desigualdades e aumentar o investimento produtivo.
Somando todos esses fatores, temos um país com outros sérios entraves ao investimento, dependente apenas dos ânimos internacionais que ditam os preços dos bens primários (como petróleo, álcool, carne, etc.). Num cenário assim, o país fica vulnerável a crises de demanda, que podem ocorrer sem nenhum aviso prévio e arrasar a estrutura produtiva.
A blindagem deve ser feita através de investimentos produtivos e reversão do processo de desindustrialização que ocorre desde a abertura comercial nos anos 90. A participação relativa da indústria deve aumentar, principalmente a da indústra de bens com alto grau de tecnologia nacional agregada. Com um mercado diversificado, as chances de incorrer numa crise de demanda por produtos primários é bastante reduzida, abrindo espaço para o desenvolvimento sólido do país.
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