terça-feira, 22 de setembro de 2009

A Gripe da Moda (parte 5)

Uberlândia, Agosto de 2009. O prefeito Odelmo se reúne com seus auxiliares em torno de um tema: a GRIPE A.
Confiram:




Uberlândia, Setembro de 2009. Nada mais se fala sobre a Gripe A.

EU JÁ SABIA...

sábado, 19 de setembro de 2009

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Transparência

Ótima noticia para o mercado de crédito, nem tão boa assim para os bancos: O Banco Central divulgará uma nova metodologia de cálculo dos spreads bancários (a parte dos juros bancários que excede a taxa básica Selic) que permitirá o melhor entendimento de sua composição. Assim, podemos esperar uma transparência maior da composição dos juros que os bancos cobram dos clientes, o que pode ser usado como uma forma de competição entre os bancos. A medida provavelmente diminuirá o custo do crédito. Com crédito mais barato, haverá mais consumo das famílias e investimento das empresas, ajudando na recuperação do país e estimulando novos investimentos produtivos. Além disso, a transparência conta um ponto a favor da regulação das atividades bancárias pelos clientes, que podem decidir melhor em qual banco preferem tomar dinheiro emprestado. Com certeza não haverá mais espaço para lucros exagerados na composição do spread.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

A falta que faz o ócio

Na sociedade atual há todo um sistema organizado em torno da produção e refinamento do conhecimento técnico e científico, mas falta algo muito importante para seu desenvolvimento: o ócio.

Em todas as sociedades antigas, sempre houve a existência de um grupo de indivíduos cuja principal função era não fazer "nada". A maior vantagem era a de que estes indivíduos tinham tempo para pensar em questões que os indivíduos comuns - motivados e pressionados pelo tempo e pela produtividade e presos em rotinas muito bem delineadas - não conseguiam enxergar.

Eram os filósofos, matemáticos e até mesmo os inventores (no estilo Professor Pardal) em geral que, graças ao tempo livre e à formação muitas vezes autodidata, conseguiam enxergar relações entre coisas que as pessoas comuns não conseguiam. É a chamada ciência pura, que dá base e direciona o progresso técnico posterior.

Hoje, os acadêmicos em geral são pressionados para a produção em massa de artigos muito bem fundamentados para ganharem espaço e poderem pesquisar nos melhores centros de pesquisa e ensino. Se percebe, muitas vezes, que a falta de tempo leva a erros ou a omissão de informações importantes num artigo. A formação profissional também direciona o pensamento dos recém formados de hoje. Muitos não são capazes de enxergar relações além daquilo que lhes foi ensinado, embora a ciência não seja um conjunto de hipóteses acabada e esteja sempre em constante evolução.

A busca pelo sucesso profissional e pelo dinheiro é o motivo pelo qual os cursos de ciência "pura", como matemática, física e filosofia, não sejam mais tão procurados pelos estudantes. Melhor estar num curso mais voltado para o mercado, pensam eles. No entanto essa atitude priva a sociedade de saltos científicos motivados pela reflexão profunda e livre de pré-conceitos.

O ócio, hoje visto como algo maléfico ao desenvolvimento da sociedade e associado aos mendigos e vagabundos, nada mais é do que parte da auto reflexão que todo povo deve fazer durante o seu processo de evolução. A separação entre a ciência pura e a tecnologia e o incentivo ao pensamento livre provocam mudanças estruturais benéficas na sociedade. Uma sociedade que não incentiva seus "pensadores" corre o risco de se desenvolver em direção a um beco sem saída, na medida em que as inovações "residuais", fruto dos grandes paradigmas do passado e presas a trajetórias rígidas, vão se esgotando.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

A solução pro meu país eu vou dar:

Pré-sal? Preços elevados dos produtos primários?

Nada disso vai salvar o país de novas crises se não forem feitas mudanças estruturais. Nada disso vai livrar o país da pobreza.

As reformas que vão realmente promover o desenvolvimento do país são outras. De nada adianta um pré-sal fornecendo recursos (controverso) se o país desperdiça o triplo com gastos "tapa buracos" e deixa de ganhar devido à burocracia.

Um estudo recente do BIRD (Banco Mundial) chamado Doing Business (publicação anual) revelou que o Brasil é o país onde os trabalhadores mais trabalham para pagar impostos. São nada menos que 2.600 horas por ano apenas para pagar as obrigaçoes tributárias. E isso num cenário onde os gastos do governo só aumentam. Para o ano que vem, a previsão de gastos é ainda maior devido ao ano eleitoral. Isso fará com que a taxa de juros tenha que aumentar para conter a inflação, freando os investimentos e a economia.

Além disso, a burocracia faz com que o país seja um dos lugares mais difíceis para se abrir um negócio. O investimento precário em infra estrutura e inovação fazem com que as poucas indústrias usem tecnologia estrangeira e tenham dificuldades para escoar sua produção. É de caráter urgente a reforma tributária, que não tem sido muito discutida no país, mas que pode diminuir a burocracia e a carga tributária, contribuir para diminuir as desigualdades e aumentar o investimento produtivo.

Somando todos esses fatores, temos um país com outros sérios entraves ao investimento, dependente apenas dos ânimos internacionais que ditam os preços dos bens primários (como petróleo, álcool, carne, etc.). Num cenário assim, o país fica vulnerável a crises de demanda, que podem ocorrer sem nenhum aviso prévio e arrasar a estrutura produtiva.

A blindagem deve ser feita através de investimentos produtivos e reversão do processo de desindustrialização que ocorre desde a abertura comercial nos anos 90. A participação relativa da indústria deve aumentar, principalmente a da indústra de bens com alto grau de tecnologia nacional agregada. Com um mercado diversificado, as chances de incorrer numa crise de demanda por produtos primários é bastante reduzida, abrindo espaço para o desenvolvimento sólido do país.

Use com moderação

O governo anda falando tanto de pré-sal que é capaz de morrer de pressão alta!

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Mensagem Aos Colegas

Resolvi postar a mensagem que fiz aos colegas para nossa formatura no começo do ano. Muitas pessoas pediram esse texto, então decidi publicá-lo aqui. Aqueles que não conhecem a trajetória da 45ª talvez não entendam as piadas, mas a mensagem conta muito sobre nossa sala de uma maneira engraçada:


Mensagem aos colegas (Por Lourenço Faria):


Agora com vocês o boletim econômico da 45ª Turma de Economia da UFU:

Nos últimos quatro anos, a curva de comportamento da nossa turma apresentou oscilações constantes, com momentos de euforia (principalmente quando o semestre acabava) e depressão (quando saía o resultado de alguma prova difícil). A fim de manter a ordem e a estabilidade, foram realizadas diariamente reuniões do comitê dos matadores de aula no saguão do bloco J, para discutir assuntos de suma importância como o ultimo capítulo da novela ou o jogo de futebol do dia anterior.

Quanto à taxa de câmbio, quer dizer, intercâmbio, permaneceu bastante alta durante o período, quando vários colegas foram representar a sala estudando em países como Portugal e França, o que também proporcionou uma melhoria nas relações internacionais da turma.

A taxa de juros também permaneceu bem alta: era gente jurando que ia estudar mais no próximo semestre, jurando que ia parar de beber, que ia emagrecer para a formatura, que ia arranjar emprego. É tanto juro que até o COPOM ficaria preocupado.

O mercado de ações esteve em euforia nesses quatro anos. As ações que mais se valorizaram no período foram a “Fazer Amigos”, “Estudar” e “Ajudar os Colegas”. Mas não podemos nos esquecer da ação preferencial “Fazer Festa”, muito valorizada principamente nesse último ano.

A propósito, nas festas predominou o liberalismo, ou seja, o pessoal liberou geral: era gente se jogando na piscina, rolando nos barrancos, dançando até o chão, pagando mico até não poder mais. Mas também rolou um certo comunismo, afinal ninguém era de ninguém, todo mundo era de todo mundo.

O fundo mais procurado para aplicações foi o fundão da sala, que obteve rendimentos muito acima da média no quesito diversão e animação. Ao longo do tempo, novos membros foram se incorporando ao fundão, aumentando ainda mais a taxa de risadas e boas histórias. Alguns outros seguiram rumos distintos, mas nos deixaram agregadas as lembranças boas de momentos inesquecíveis e vão ter sempre seus lugares reservados na nossa turma.

A taxa de empréstimo também se manteve alta, principalmente o empréstimo de livros, cadernos e resumos. Era preciso estar atento à situação de “longo prazo”, aquele prazo imenso de entrega de trabalhos que num piscar de olhos se transformava num “curto prazo”, o que exigia de todos maior eficiência e produtividade para dar conta de entregar tudo a tempo.

O PIB (Produto da Inteligência e Beleza) se manteve estável em um patamar elevado, graças à contribuição das meninas sempre bem arrumadas e inteligentes, e principalmente graças ao nosso querido Cristiano, eleito o Sex Symbol da turma. A inteligência e a dedicação de todos durante o curso também ajudaram a manter o índice elevado.

O time de futebol da 45, carinhosamente apelidado de Recanto Universitário devido ao seu patrocinador principal, mesmo com alguns desfalques importantes, conseguiu seguir impondo respeito nas últimas edições do Interperíodos da Economia, graças ao esforço do grupo para se manter equilibrado em campo (principalmente depois de beber algumas cervejas antes do jogo).

E quanto às previsões para o futuro? Analistas do FMI, do Banco Mundial e do Federal Reserve americano destacam que o valor agregado pela turma durante o curso possibilitará a todos rendimentos futuros bem elevados. É certo que a alavancagem da nossa amizade e companheirismo continuará indefinidamente, garantindo a união da turma mesmo após o término de nosso curso.

Brincadeiras à parte, nossa turma vivenciou momentos de tensão e de alegria, viveu fases de união e de separação. Muitos se descobriram amigos inseparáveis ao longo do curso, e todos levaram muitas outras lições além das de economia: lições de vida.

Cada um de nós deu uma pequena contribuição para o que chamamos de turma. Graças a essa contribuição, os que eram estudiosos aprenderam a ficar mais tranqüilos, outros eram muito tranqüilos e ficaram mais estudiosos. Mas também tem alguns que já eram estudiosos e ficaram ainda mais, e outros eram tranqüilos e ficaram mais malandros! Nossas diferentes personalidades ajudaram a moldar uma turma diversificada, mas que encontra na alegria e na amizade o ponto em comum.

Todos tiveram momentos de fraqueza, onde a melhor alternativa parecia ser largar tudo. Mas a força que nos obriga a continuar mostra agora seus frutos, e é graças a ela que estamos todos aqui hoje realizando nossos sonhos. E assim devemos continuar sem fraquejar, sem desistir daquilo que almejamos, mesmo quando nos depararmos com a derrota, pois o importante não é vencer todos os dias, mas lutar sempre.

Agora o que era colega tornou-se companheiro. E o que era companheiro transformou-se em irmão. Idéias, temperamentos gerando divergências, sempre existirão. Mas o momento é para amigos, a hora é de pontuar uma história.

Valeu 45!

Olha eu aí em cima lendo a mensagem! Orgulho da mamãe!

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Uma aposta arriscada

O que o Pré-sal representará para o Brasil?

Essa dúvida permeia a cabeça daqueles preocupados com o futuro do nosso país. Existem vários casos de países que construiram verdadeiras oligarquias em torno do petróleo, onde a população praticamente não sentiu os efeitos benéficos do ouro negro. Também podemos encontrar exemplos de países onde a combinação de gestão responsável e desenvolvimento industrial possibilitaram um ganho em termos sociais e economicos devido à exploraçao desse recurso natural.

Alguns dizem que tudo depende da boa vontade dos nossos políticos, mas acho que a questão é muito mais complexa. Primeiro, porque tudo irá depender de como o petróleo será utilizado nos próximos anos, se continuará sendo a base energética mundial ou se será substituido por outra fonte (hidrogênio, energia atômica ou solar, etc.). A química industrial garante que ainda seremos dependentes do petróleo para a fabricação de matérias primas, lubrificantes, plásticos e outros produtos, mas se ele for substituido por outra fonte energética em veículos e usinas energéticas, com certeza o preço do petróleo não compensará o investimento que está sendo feito para a exploração da camada pré-sal brasileira. Isso significa que o Brasil está apostando que o preço do petróleo se manterá constante nas próximas décadas, quando tudo indica que a tendência é de queda acentuada. A possibilidade de não se encontrar petróleo economicamente explorável também existe, como já aconteceu em dois campos perfurados pela Exxon e BG.

Além desse fator "exógeno", não se pode esquecer da gestão dos recursos. Na minha opnião, caso não haja uma mudança organizacional na Petrobrás e nas futuras "estatais do petróleo", o pré-sal poderá acabar como mais um instrumento de manipulação política entre os partidos (e seus coronéis), como já acontece com cargos, royalties e concessões.

Segundo a revista "The Economist", o Brasil tem historicamente um perfil "gastador", com taxa de poupança baixa e gastos elevados. A entrada dos recursos do pré-sal pode representar uma oportunidade do país reverter esse perfil e fazer os investimentos necessários, principalmente em infra-estrutura social e logística. Por outro lado, também pode representar apenas um "bico" para cobrir gastos excessivos que já são praticados pelo governo.

Além de todos esses fatores, posso citar uma grande preocupação dos economistas, a chamada dutch disease, ou doença holandesa, que pode ocorrer quando um país descobre uma grande fonte de recursos naturais e consegue assim manter sua balança comercial em situação de superávit, mas ao mesmo tempo deixa de realizar investimentos estruturais importantes (principalmente em tecnologia, indústria e logística) para se tornar competitivo do ponto de vista industrial e tecnológico. Em outras palavras, significa que as industrias passam a ter uma participação menor na geração de renda da economia, que passa a depender das suas "vantagens comparativas" provenientes dos recursos naturais. Isso é particularmente perigoso, pois a economia fica "refém" de preços primários instáveis, e pode facilmente entrar em recessão (a queda dos preços do café durante a crise de 1929 arrasou a economia brasileira, cujo principal produto de exportação era o café).


Enfim, pode-se dizer que o Brasil está fazendo uma aposta bastante arriscada, que dependerá de fatores endógenos e exógenos complexos e muitas vezes fora do controle do governo. A implementação do programa do pré-sal está sendo votada com urgência, pois representará um triunfo para o governo nas eleições do próximo ano. No entanto, os governantes devem ter em mente que se trata de um programa complexo e de longo prazo, que deveria ser pensado com mais calma antes de ser colocado em prática. Pelos riscos envolvidos, possivelmente o pré-sal pode representar mais um obstáculo do que uma alavanca ao desenvolvimento do país.