sexta-feira, 10 de julho de 2009

"Uma pessoa que tem dinheiro e não sabe gastar é como uma galinha: tem asas mas não sabe voar."
By: minha mãezinha =)

terça-feira, 7 de julho de 2009

E disse Schumpeter: Eu já sabia!

"Velhas firmas e indústrias tradicionais, estejam ou não diretamente expostas à fúria dos elementos, vivem ainda assim em meio da eterna tempestade. Surgem, no processo da destruição criadora, situações em que muitas firmas que afundam teriam podido continuar a navegar vigorosa e utilmente se tivessem podido atravessar determinada tormenta. À parte as crises e situações gerais, surgem situações locais em que a rápida transformação da conjuntura, tão característica deste processo, desorganiza de tal maneira a indústria a ponto de lhe infligir prejuízos absurdos e ocasionar um desemprego evitável. Em resumo, nada justifica que se procure conservar indefinidamente indústrias obsoletas, mas faz sentido evitar que elas se desmoronem estrepitosamente, ou tentar transformar uma derrota fragorosa, que se pode tornar centro de efeitos cumulativos depressivos, em retirada ordenada." (Schumpeter, 1956).

Esse trecho, retirado do clássico de Schumpeter "Capitalismo, Socialismo e Democracia", nos oferece uma reflexão acerca do papel de empresas como a GM, Chrysler e Ford e do governo americano no cenário economico e politico atual. As empresas automobilisticas americanas, por um longo periodo de tempo, se viram no papel de reprodutoras de um sistema de consumo (american way of life) que dava e ainda dá claros sinais de esgotamento mesmo em seu mercado doméstico. Elas não perceberam que estavam no meio da tempestade, e não se preocuparam em inovar com novos processos e produtos, como fizeram seus concorrentes japoneses. Mas tais industrias tradicionais viviam sob a tempestade, mesmo que encobertas por uma capa de chuva. A situação que derrubou as montadoras veio sob a forma de um relampago destruidor formado pela grande crise do subprime que cortou crédito e arruinou investimentos, mas principalmente pela baixa demanda -mesmo nos EUA- por seus carros grandes e excessivamente potentes. A situação se agravou com a crise, mas as empresas poderiam ter enxergado e ao menos tentado reverter a situação bem antes disso, simplesmente percebendo e respeitando o crescimento da demanda por carros menores e mais eficientes. Essa transformação da conjuntura foi percebida pelas montadoras japonesas e européias, que ja investem há muito tempo em carros menores e eficientes. Talvez o orgulho americano no seu padrão de consumo tenha cegado as gigantes quanto às modificações de produto e processo que deveriam ter sido implantadas. Por fim, cabe elogiar o papel do governo americano, ajudando as empresas a se reerguerem, de modo que não haja nenhuma derrota fragorosa seguida de seus respectivos efeitos cumulativos (e aqui podemos estender para o caso dos bancos, empresas de seguro, etc.), mas sim uma retirada ordenada do sistema que elas ajudaram a construir, em prol de uma reorganização industrial profunda. É a destruição criadora mais uma vez revelando sua face.